Projeto ensina mulheres da periferia construírem suas próprias casas

Nas comunidades da periferia de Belo Horizonte, em Minas Gerais, a frase eternizada na música de Raul Seixas nunca fez tanto sentido: “Sonho que se sonha junto é realidade!“.

Isso porque, por meio do projeto Arquitetura na Periferia, dezenas de mulheres estão sendo capacitadas para juntas realizar o sonho que todas têm em comum: uma moradia digna.

A mobilização começou com a arquiteta Carina Guedes, em 2013.

Pesquisando para sua tese de mestrado, ela descobriu sobre a Lei Federal 11.888, que em um de seus artigos prevê,

assistência técnica gratuita para famílias em situação de vulnerabilidade para que possam construir moradia digna.

A Lei, de 2008, só prevê o benefício no papel, o que motivou Carina a agir por conta própria para fazê-la ser cumprida!

A arquiteta reuniu mulheres que viviam em situação de extrema vulnerabilidade com suas famílias na ocupação Paulo Freire, localizada na região do Barreiro, e fez a proposta: capacitá-las para que juntas pudessem construir os lares dignos com que tanto sonhavam.

Assim nasceu a primeira turma do Arquitetura na Periferia, que hoje já soma mais de 60 mulheres, de 5 diferentes comunidades da periferia de Belo Horizonte, capacitadas. Dessas, pelo menos metade já está com suas casas construídas – com a ajuda de mutirões femininos!

A mão de obra das construções é toda gratuita, proveniente das alunas e professoras do Arquitetura na Periferia, e os materiais de construção são emprestados pelo projeto.

O empréstimo é pago, de forma parcelada e sem juros, pelas alunas. Em quanto tempo? Elas mesmas calculam o período com base em sua renda e nas noções básicas de Finanças que aprendem durante a capacitação.

A iniciativa está dando tão certo que, em 2018, as mulheres do Arquitetura na Periferia se juntaram para fundar o Instituto de Assessoria à Mulheres e Inovação:

Organização que pretende fomentar projetos semelhantes de empoderamento feminino em outras áreas, além da arquitetura, a fim de ajudar cada vez mais mulheres. Demais, não?