Usinas solares no espaço podem ser a solução limpa para demanda elétrica mundial

Usinas solares no espaço podem ser a solução limpa para demanda elétrica mundial
27 nov 2020

Nos últimos anos, as fontes de energia renováveis se desenvolveram de forma impressionante e alcançaram a liderança da expansão mundial da oferta de geração elétrica.

Com menor custo que as tradicionais fontes poluentes, elas já são a escolha mais econômica e o caminho para descarbonizarmos nosso setor elétrico e frearmos o aquecimento global.

O potencial existe e foi demonstrado em cálculos por cientistas, que afirmaram que apenas 1,2% do território do Saara coberto por placas solares seria o suficiente para abastecer todo o mundo.

No entanto, uma grande barreira no crescimento das fontes limpas é o fato de não estarem disponíveis no mesmo ritmo com que consumimos energia. Ou seja, a todo o momento.

Uma solução para isso está nas tecnologias de baterias para armazenamento em grande escala que, embora confiáveis, possuem custo alto de produção e demandam recursos naturais finitos.

Mas uma outra saída para esse problema pode ser a instalação de estações solares no espaço, conceito idealizado pela primeira vez em 1920 e que fica cada vez mais próximo da realidade.

Além de teoricamente possível, a utilização do painel solar em larga escala no espaço apresenta diversas vantagens em relação às aplicações que crescem a cada ano no mundo.

Uma usina solar em órbita no espaço poderia estar em frente ao Sol 24 horas por dia e gerar mais energia devido à ausência da atmosfera, que absorve e reflete parte da luz que chega à Terra.

Entretanto, a montagem, envio e implantação dessas estações, que podem ter até 10 km² de extensão, ainda representam desafios que os cientistas de diversos países tentam solucionar.

Para isso, as pesquisas envolvem diferentes técnicas que visam diminuir o peso dos materiais utilizados e, assim, reduzir um dos maiores custos desses projetos: seu lançamento ao espaço.

Alguns exemplos são o envio de milhares de satélites menores para formar um único grande gerador e técnicas de impressão 3D de células fotovoltaicas ultraleves em grandes velas solares.

Uma vela solar é uma membrana dobrável, leve e altamente reflexiva, que fabricada com células fotovoltaicas poderia formar as estruturas de grandes estações espaciais de energia solar.

Além do desenvolvimento de técnicas para a construção das usinas solares diretamente do espaço, essas pesquisas ainda consideram a utilização de seus recursos, como materiais encontrados na lua.

Outro grande desafio é como enviar essa energia à Terra, para o qual a melhor solução hoje seria a utilização de ondas de rádio eletromagnéticas, como já foi demonstrado em projetos desenvolvidos pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão.

Isto é, converter a eletricidade gerada pelas estações solares em ondas de energia e usar campos eletromagnéticos para transferi-las para uma antena na superfície da Terra que, então, faria o processo reverso.

Embora ainda exista muito trabalho a ser feito, a estimativa é que as primeiras estações solares espaciais estejam em operação já no fim das próximas décadas.

Como o projeto Omega, que poderá fornecer 2 Gigawatts de energia à Terra em sua máxima capacidade e o qual os cientistas chineses pretendem tornar operacional em 2050.

A esperança é que, mais que um marco da capacidade tecnológica do ser humano, as usinas solares espaciais se tornem uma poderosa arma no combate ao aquecimento global.



Ruy Fontes
Ruy Fontes

Formado em Letras-Inglês pela Universidade Estácio de Sá, apaixonado por tecnologias e sustentabilidade, atua como gestor de conteúdo na agência #movidos.

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