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Refugiados vivendo no Brasil treinam para participar de equipe olímpica em Tóquio 2020

Por ONU

A um ano das Olimpíadas de Tóquio 2020, a capital do Japão se prepara para receber atletas de todo o mundo, incluindo refugiados que vão competir sob a bandeira do Comitê Olímpico Internacional. O organismo está financiando a preparação de 37 competidores, que vão tentar uma vaga na Equipe Olímpica de Refugiados. Entre os atletas, estão os judocas congoleses Popole Misenga e Yolande Mabika, que residem no Rio de Janeiro (RJ).

Os quase 40 refugiados representam diferentes esportes — atletismo, badminton, boxe, judô, karatê, natação, taekwondo e levantamento de peso. Os atletas são oriundos do Afeganistão, Camarões, República Democrática do Congo, Eritreia, Etiópia, Irã, Sudão do Sul, Sudão e Síria.

O grupo está recebendo uma bolsa-atleta por meio da iniciativa de auxílios e fomento ao desenvolvimento do esporte do COI, a Solidariedade Olímpica. O projeto também tem a participação dos Comitês Olímpicos Nacionais dos países de acolhimento. Atualmente, os 37 beneficiários residem na Austrália, Bélgica, Brasil, Alemanha, Israel, Jordânia, Quênia, Luxemburgo, Portugal, Holanda, Turquia e Reino Unido.

Entre os atletas, estão os dez integrantes da primeira Equipe Olímpica de Refugiados, que estreou no maior evento esportivo do mundo em 2016, no Rio de Janeiro. Dois dos competidores residem na capital fluminense — os judocas congoleses Popole Misenga e Yolande Mabika. Misenga luta na categoria até 90 kg. Yolande, na faixa de peso até 70 kg.

Em 2016, Popole foi eliminado após um embate com o então campeão mundial da sua categoria, o sul-coreano Gwak Dong-han. Yolande perdeu para a israelense Linda Bolder. Apesar das derrotas, a dupla saiu da Rio 2016 com otimismo por finalmente ter retornado ao esporte de alto rendimento — Yolande ficou dois anos sem treinar antes de ter a oportunidade de se preparar para as Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Em 2017, os dois congoleses participaram do Campeonato Carioca, onde Popole levou prata. À época, os refugiados já sonhavam com Tóquio 2020 e treinavam mirando uma eventual vaga para viajar ao Japão.

‘Esporte transcende fronteiras, muros e guerras’

Com a bolsa-atleta, a Solidariedade Olímpica e os comitês nacionais ajudam os refugiados não apenas a treinar e se qualificar para as Olimpíadas, mas também a dar prosseguimento com suas carreiras no esporte e a construir um futuro.

Além da primeira equipe olímpica de refugiados, o COI chamou 13 novos esportistas para o programa de auxílio. Outros 14 atletas beneficiários estão se preparando em grupo no Centro de Treinamento de Refugiados de Tegla Loroupe, no Quênia.

Os integrantes da Equipe Olímpica de Refugiados serão anunciados em junho de 2020.

O presidente do COI, Thomas Bach, afirma que, com o auxílio financeiro e técnico, o comitê internacional deseja mostrar que os refugiados enriquecem o esporte e as sociedades. “A equipe enviará um sinal de esperança para todos os refugiados em todo o mundo e será um lembrete a todos da magnitude da crise de refugiados”, afirmou o dirigente.

De acordo com a entidade, o apoio dos comitês olímpicos nacionais e das federações esportivas mundiais será fundamental para assegurar o treinamento dos 37 atletas refugiados na preparação para Tóquio 2020.

Acesse a lista completa dos atletas beneficiários clicando aqui.

“O esporte é uma linguagem universal que transcende fronteiras, muros, guerras e outras barreiras”, enfatiza o alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi.

“É uma ferramenta poderosa para ajudar refugiados a se curar (dos traumas), a crescer e a se tornar parte das suas novas comunidades. Esses atletas inspiradores são um símbolo para refugiados em todo o mundo. Eles mostram o que pode ser alcançando, contra todas as adversidades, por meio da resiliência, determinação e dedicação ao que você ama.”

Atualmente, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) mantém uma parceria com a Fundação Olímpica de Refúgio, do COI, que promove atividades esportivas para refugiados e outras vítimas de deslocamento forçado, incluindo por meio da construção de instalações para a prática de esportes. A meta da fundação é garantir que, até 2024, 1 milhão de jovens em situação de deslocamento forçado tenham acesso a esporte.

Foto: ACNUR/Benjamin Loyseau

Redação

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