Permacultura empodera mulheres e alimenta 6 mil famílias refugiadas na Uganda

Permacultura empodera mulheres e alimenta 6 mil famílias refugiadas na Uganda
14 fev 2019

Em um campo de refugiados no norte da Uganda, localizado em uma cidade chamada Palabek, pessoas chegam com apenas algumas mudas de roupas em suas bagagens. Como “boas vindas” o governo consegue prover uma lona, tenda de vime, uma garrafa d’água, uma panela e um cartão que garante comida suficiente para enganar a fome. A África Subsaariana é lar de mais de 26% da população mundial de refugiados!

A ONG African Women Rising (AWR) se organizou para educar mulheres e meninas na região de Palabek – focando na alfabetização, micro-finanças e agricultura. As lições de permacultura acabam fazendo a diferença na vida das pessoas, possibilitando prosperidade no novo lar!

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A permacultura sistematiza tecnologias ancestrais e atuais de diversas áreas do conhecimento para criar assentamentos humanos sustentáveis. É uma metodologia que ajuda a gerar renda em uma propriedade rural (ou urbana), economizar tempo e ainda nos permite viver em harmonia com a Natureza. Resumindo: morar coletivamente neste planeta sem destruí-lo. Para que isso seja possível, orienta-se por 3 princípios éticos: cuidar da terra, cuidar das pessoas e cuidar do futuro.

“Há uma máxima raramente contestada no setor humanitário de que, se você fornecer a alguns refugiados alguns pacotes de sementes  e algumas ferramentas, ela poderá traduzir isso em um suprimento regular de alimentos para a família”, contaLinda e Tom Cole, fundadores da iniciativa. Mas ambos viram essa máxima fracassar, devido à baixa fertilidade do solo e à falta de água na região.

Por isso a AWR oferece uma educação agrícola aprofundada! “Focamos na construção do entendimento em torno dos princípios básicos da biologia da água e do solo, e então usamos uma estrutura de projeto para ajudar o agricultor a entender a melhor maneira de capturar a água da chuva e enriquecer o solo usando materiais disponíveis localmente – e muitas vezes resíduos como esterco, cinza de madeira, folhas de árvores e pó de carvão”, explica o casal.

No começo foram treinadas 20 pessoas que multiplicam o conhecimento e hoje totalizam seis mil famílias de refugiados do Sudão do Sul que cultivam suas hortaliças. Os permacultores coletam água da chuva, capturam fluxo de resíduos para melhorar a fertilidade da terra e ainda estabelecem porções de 30m por 30m para produção de alimentos.

Além disso, o grupo gerenciam árvores existentes, plantam árvores novas e cultivam cercas vivas e plantações de biomassa que fornecem materiais para construção, remédios para pragas , nutrição de estações secas e medicamentos. Tudo isso não é uma solução mágica aprendida em um dia! É uma série de treinamentos e acompanhamentos da instituição que, apesar de trabalhosa, tem se mostrado poderosa!

Por quê empoderar mulheres?

“A visão da AWR é construir igualdade social, econômica e política para mulheres e meninas na África”, acredita seus fundadores, que tocam a ONG desde 2006. Através do aumento da produção de alimentos, gestão de recursos naturais, segurança financeira e educação básica, a ideia é capacitar mulheres africanas a reconstruírem suas vidas após a guerra.

O papel social da mulher, para a maioria das culturas, é cuidar das crianças e manter o funcionamento da família. Em um cenário pós-guerra essas tarefas são praticamente impossível. Como se não bastassem os óbvios obstáculos, elas enfrentam desafios ambientais como seca, erosão, escassez de água e mudanças climáticas.

Viúvas, ex-sequestradas, ex-combatentes, mães de meninas, órfãs, HIV positivas, avós responsáveis por netos são o público alvo do programa. Todas sobrevivem, em média, com menos de um dólar por dia.

Foto: Brian Hodges Photography, Thomas Cole and Macduff Everton via AWR



Jéssica Miwa
Jéssica Miwa

Mãe do Gael, Googler, jornalista e cofundadora do The Greenest Post. Acredita em pequenas ações que podem mudar o mundo.

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