Na Itália, restaurantes que doam comida aos sem-teto terão redução de imposto

17.11.2013 ZDJECIA WIZERUNKOWE DLA RESTAURACJI BURGER KITCHEN TOMKA WOZNIAKA , FOT. MARCIN KLABAN
18 mar 2016

Enquanto, no Brasil, a legislação desincentiva os estabelecimentos a doar a comida (boa!) que jogariam no lixo, na Itália o governo toma o sentido contrário e ensaia oferecer redução de imposto para os restaurante que oferecerem esses alimentos a pessoas necessitadas, como moradores em situação de rua.

A medida deve ser votada, em breve, pelo parlamento, mas tudo indica que será aprovada, uma vez que todos os partidos do país já se declararam favoráveis à ideia. Atualmente, na França, cerca de 5,1 toneladas de comida boa são desperdiçadas anualmente, o que representa € 1,2 milhão na lata do lixo.

Se aprovada, a nova Lei ainda vai alterar algumas normas do país relacionadas à segurança alimentar, permitindo que alimentos fora do prazo de validade também sejam doados a pessoas necessitadas – desde que ainda apresentem boas condições para consumo, claro. A ideia tem se tornado cada vez mais uma tendência na Europa. Já ouviu falar no supermercado da Dinamarca que só vende comida vencida (e com desconto)?

Que a ideia se espalhe cada vez mais mundo afora. Chega de tanto desperdício, enquanto há tantos passando fome, né?

Foto: Divulgação/KangarooBarandKitchen

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Débora Spitzcovsky
Débora Spitzcovsky

Cofundadora do The Greenest Post, Débora Spitzcovsky é especialista em Sustentabilidade, com foco em Comunicação, Voluntariado e Desenvolvimento Local

Observações

  1. David Mafra Diz: agosto 3, 2019 at 2:42 pm

    Compreendo a sua reflexão. Mas infelizmente, no Brasil, restaurantes foram denunciados, processados, atacados também pelo público que recebeu as doações, com a justificativa de que “passaram mal” após comer a refeição. Será que a comida estava estragada mesmo? Essa polêmica exigiu da vigilância sanitária uma posição mais radical. Até mesmo muitos restaurantes deixaram de doar com o receio não da Anvisa, mas dos possíveis problemas que teriam se alguma pessoa usasse de má fé e fizesse alguma denúncia, mesmo que tivessem passado mal por outros motivos, exemplo: inadequação no armazenamento, falta de higiene pessoal – mãos sujas, utensílios e matérias impróprios para a refeição – exemplo morador de rua que recebe alimento. A denúncia, o processo e a causa podem gerar ações de ressarcimento, indenização, dinheiro, de acordo com o CDC. Situação bem complexa. Vivemos num país com realidade muito, muito diversa. Outro ponto: é possível fazer a doação sim, mas é preciso ter acompanhamento. O programa Sesc mesa Brasil é uma das instituições que recolhem esta comida, distribuem e acompanham o processo todo.
    O que a legislação não permite é a doação direta, justamente para evitar inadequação da doação, exemplo de alimentos estragados, e a recepção, exemplo de inadequação na ingestão da refeição.
    Sem dúvida, é preciso combater o desperdício, mas existem também ações diversas para isso, inclusive a gestão adequada na produção de alimentos nos restaurantes, exemplo de quantidade.

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