Inteligência artificial é utilizada para salvar recifes de corais

Inteligência artificial é utilizada para salvar recifes de corais
26 abr 2020

Os recifes de corais estão entre os ecossistemas mais diversos do mundo, com mais de 800 espécies de corais que abrigam e protegem aproximadamente 25% da vida marinha global. Os recifes também são benéficos à humanidade – além de protegerem as costas contra tempestades tropicais, fornecem alimento e renda para um bilhão de pessoas, além de gerarem 9,6 bilhões de dólares por ano em atividades ligadas ao turismo. Todavia, os recifes correm perigo e estão sendo degradados pela pesca em larga escala e de arrasto, aumento das temperaturas e desenvolvimento desenfreado das regiões litorâneas.

Para combater sua degradação, uma nova solução – que usa inteligência artificial para monitorar, definir e analisar a resiliência dos recifes de corais – foi desenvolvida nas Filipinas. A solução – resultado do Projeto: CORaiL, iniciativa criada pelas três empresas em 2019 – foi implantada há um ano em um recife local. O resultado final é de parceria de três empresas: Accenture (NYSE: ACN), a Intel e a Fundação Ambiental Sulubaaï.

Um elemento fundamental para o Projeto: CORaiL é a identificação da quantidade e diversidade de peixes em torno do recife, um importante indicador da saúde geral daquele ecossistema. Os esforços tradicionais de monitoramento envolvem o trabalho de mergulhadores, que captam vídeos e imagens do recife. Além de perigoso e demorado, esse tipo de abordagem acaba perturbando a vida marinha, uma vez que os peixes ficam assustados com a presença dos mergulhadores.

Engenheiros da Accenture, Intel e da Fundação Ambiental Sulubaaï implantaram um recife artificial de concreto – chamado de Prótese do Recife Sulu (SRP, na sigla em inglês) – que oferece suporte aos fragmentos de corais. O SRP foi projetado pela Sulubaaï e colocado no recife que cerca a Ilha de Pangatalan, nas Filipinas. Fragmentos de corais vivos foram implantados na estrutura, onde poderão crescer e se expandir, oferecendo um habitat híbrido para peixes e a vida marinha em geral.

Em seguida, os engenheiros posicionaram câmeras de vídeo submarinas inteligentes equipadas com o recurso Inteligência Aplicada para Serviços de Analytics para Vídeos (VASP) da Accenture a fim de detectar e fotografar os peixes que passam por lá. A IA usada pelo VASP para contar e classificar a vida marinha é impulsionada pela tecnologia da Intel, incluindo processadores Intel Xeon, Cartões Programáveis de Aceleração FPGA e VPU Movidus. Em seguida, os dados são enviados para um painel em terra firme, fornecendo análises e tendências aos pesquisadores em tempo real e facilitando a tomada de decisões baseadas em dados.

Uma câmera de vídeo submarina inteligente irá detectar, fotografar e classificar os peixes, ajudando a Accenture, Intel e a Fundação Ambiental Sulubaaï na tomada de decisões baseadas em dados para restaurar o recife de corais que cerca a Ilha de Pangatalan, na Filipinas.

“O valor dos dados depende da rapidez com que são usados para obtenção de insights para tomada de decisões,” explica Athina Kanioura, Chief Analytics Officer e líder da prática de Applied Intelligence na Accenture. “Com a análise de vídeos transmitidos em tempo real, o VASP oferece acesso a uma base rica de dados – um monitoramento ativo que não interfere no ambiente submarino.”

Desde a implantação, em maio de 2019, já foram captadas aproximadamente 40.000 imagens, usadas pelos pesquisadores para avaliar a saúde do recife em tempo real.

“A inteligência artificial oferece oportunidades inéditas para resolver alguns dos problemas mais constrangedores causados pelo ser humano”, explica Jason Mitchell, diretor geral para a prática de Communications, Media & Technology da Accenture e principal interface da empresa com a Intel. “Nosso ecossistema de parceiros corporativos e sociais nessa iniciativa de ‘IA para o bem social’ mostra que os números do impacto ambiental positivo são robustos.”

Os engenheiros da Accenture e da Intel já estão empenhados no protótipo revolucionário do Projeto: CORaiL, que irá contar com uma rede neural convolucional otimizada e uma fonte de alimentação de reserva. O próximo passo será a implantação de câmeras infravermelhas, permitindo a captura de vídeos noturnos e a criação de uma imagem mais completa do ecossistema dos recifes. Usos futuros incluem o estudo das taxas de migração de peixes tropicais rumo a regiões mais frias e o monitoramento de intrusões em áreas submarinas protegidas ou de acesso restrito.



Jéssica Miwa
Jéssica Miwa

Mãe do Gael, Googler, jornalista e cofundadora do The Greenest Post. Acredita em pequenas ações que podem mudar o mundo.

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