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Geoparque brasileiro que abriga quilombolas é considerado patrimônio geológico mundial pela ONU

Desde 2015, a Unesco, Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, mantém a iniciativa Rede Global de Geoparques, que busca reconhecer (e, acima de tudo, proteger!) patrimônios geológicos considerados de importância mundial por contribuírem para a preservação da diversidade biológica e cultural dos locais onde estão localizados.

O Brasil (ainda!) não fazia parte da iniciativa, mas isso mudou neste último mês de abril. Nosso país foi incluído na Rede Global de Geoparques graças a dois geoparques localizados no nosso território: o do Seridó, que fica no semiárido nordestino, no Estado do Rio Grande do Norte, e o Caminhos dos Cânions do Sul, que engloba municípios dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os motivos para terem sido escolhidos? Segundo a Unesco, o Geoparque Global Seridó abriga mais de 120 mil habitantes, incluindo comunidades quilombolas, que mantêm viva a memória de seus ancestrais escravizados da África, garantindo a preservação de sua cultura.

O local ainda possui vestígios de 600 milhões de anos de história da Terra, abrigando fluxos de basalto decorrentes de atividades vulcânicas durante as Eras Mesozóica e Cenozóica, além de uma das maiores mineralizações de scheelita da América do Sul – um importante minério de tungstênio. Toda essa geodiversidade é um dos grandes fatores determinantes para a biodiversidade única que forma a nossa Caatingaúnico bioma exclusivamente brasileiro.

Já o Geoparque Global Caminhos dos Cânions do Sul foi escolhido por preservar vestígios da época em que, antes mesmo da chegada de Cristóvão Colombo no Brasil, pré-colombianos se abrigavam na região em paleotocasestruturas pré-históricas subterrâneas escavadas por animais paleovertebrados que já estão extintos, como a preguiça gigante.

O local ainda reúne “os cânions mais impressionantes da América do Sul”, segundo a Unesco, formados por processos geomorfológicos únicos que o continente sofreu durante a dissolução do supercontinente Gondwana, há cerca de 180 milhões de anos.

Quem aí já ficou com vontade de fazer as malas para conhecer?

Com informações de ONU News

Foto: Reprodução/Unesco/Getson Luís

Débora Spitzcovsky

Especialista em Sustentabilidade, com foco em Engajamento e Desenvolvimento Local, Débora é jornalista e cofundadora de The Greenest Post

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