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Dia Mundial da Água: recursos hídricos são essenciais para a solução da mudança climática

Por ONU

No Dia Mundial da Água – 22 de março -, as Nações Unidas lançaram um relatório que aponta que tanto os impactos quanto as causas das mudanças climáticas vão exigir mudanças maiores na maneira como usamos e reaproveitmos os recursos limitados de água do planeta terra.

O novo Relatório pede, entre outras coisas, esforços concretos para enfrentar o crescente stress hídrico e aumentar a eficiência no uso de água na agricultura e na indústria. O documento pede ações em três áreas: primeiro, capacitando as pessoas a se adaptar aos impactos da mudança climática; segundo, aumentar a resiliência dos meios de subsistência; e terceiro, reduzindo o que provoca a mudança climática.

Para enfrentar a (in)segurança hídrica e a mudança climática, duas das crises mais críticas que o mundo continuará a enfrentar nas próximas décadas, o Relatório Mundial de Desenvolvimento da Água, compilado pela UNESCO em colaboração com a Agência da ONU para a Água, dá a tomadores de decisão o conhecimento de ferramentas para elaborar políticas hídricas sustentáveis e pede investimentos maiores para coloca-las em prática.

“A palabra “água” raramente aparece nos acordos internacionais de clima, apesar de ter um papel crucial em assuntos como segurança alimentar, produção de energia, desenvolvimento econômico e redução da pobreza”, afirmou a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

Ela reforçou: “Este potencial da água precisa ser explorado, levando em consideração que nossas ações para reduzir o aquecimento global estão atrasadas em relação as nossas ambições, apesar da grande adesão ao Acordo de Pairs. O Relatório mostra que a água não precisa ser um problema – pode ser parte da solução. Água pode apoiar os esforços tanto para mitigar quanto para adaptar à mudança climática”.

Todos têm um papel – Em sua mensagem para o Dia Mundial da Água, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que todo mundo tem um papel e pediu que as partes interessadas aumentem ações pelo clima e invistam em medidas de adaptação robustas para a sustentabilidade hídrica.

Ele lembrou que ao limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius, “o mundo ficará numa posição muito melhor para lidar e resolver a crise hídrica que todos enfrentamos”.

“A água é o meio primário através do qual percebemos os efeitos da ruptura climática, de eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, ao degelo glacial, intrusão de água salina e aumento do nível do mar”, afirmou.

Isto irá afetar negativamente a saúde e a produtividade e atuar como uma ameaça multiplicadora de instabilidade e conflito. Para o dirigente da ONU, a solução é clara: “Devemos urgentemente aumentar investimentos em bacias hidrográficas saudáveis e infraestrutura hídrica, com aumentos dramáticos na eficiência do uso da água”. Guterres acrescentou que o mundo precisa antecipar e responder aos riscos climáticos em todos os níveis de gerenciamento hídrico.

Para o secretário-geral, é necessário usar a COP26, que será realizada este ano em Glasgow, na Escócia, para diminuir a curva de emissões e criar uma fundação segura para a sustentabilidade da água. A COP26, Conferência da ONU para a Clima, está prevista para novembro de 2020.

Água é crise global – Em sua mensagem para o dia, a chefe da UNESCO disse que quatro bilhões de pessoas em todo o mundo são forçadas a lutar contra a escassez de água. “Sem acesso sustentável para água, não conseguiremos alcançar objetivos como educação de qualidade ou desenvolvimento de sociedades mais prósperas e justas”, afirmou Azoulay.

“Dada a urgência da situação, a próxima década precisa ser de ação”, declarou a dirigente da UNESCO, lembrando que o Relatório 2020 apresenta soluções concretas para garantir o acesso de água para todos. Entre elas, melhorar o gerenciamento de recursos hídricos, mitigar os riscos relativos à água e acesso maior e mais fácil a saneamento sustentável.

Ação para salvar o planeta e sua água só será útil se as gerações futuras estiverem totalmente envolvidas, incluindo através dos estados-membros da UNESCO incorporando assuntos relativos a educação ambiental no currículo escolar.

“Não Podemos simplesmente esperar” – O Relatório, lançado em Paris e Genebra, reforçou o pedido dos dirigentes da ONU para que os estados façam mais comprometimentos concretos para lidar com o desafio e advertiu que a mudança climática afetará a disponibilidade, quantidade e qualidade da água exigida para as necessidades básicas humanas, ao mesmo tempo em que comprometerá os direitos básicos a água potável segura e saneamento para bilhões de pessoas.

Tal deterioção da situação do mundo irá apenas impedir o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6, parte da Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável. Este ODS prevê acesso a água potável saudável e saneamento para todos num prazo de dez anos. Isto será um desafio considerável – atualmente, 2,2 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável e outras 4,2 bilhões – ou 55% da população mundial – não possuem saneamento básico.

A UNESCO também falou que a necessidade crítica de aumentar substancialmente o acesso de água limpa para consumo e higiene de bilhões de pessoas ao redor do mundo tem dificultado o alívio para a atual pandemia da COVID-19.

O Relatório Mundial de Desenvolvimento da Água revela que o uso da água dobrou no último século e está aumentando cerca de um por cento ao ano. Apesar disso, estima-se que a mudança climática, aliada à crescente intensidade e frequência de eventos extremos – tempestades, enchentes e secas – irão agravar a situação em países que já estejam experimentando stress hídrico e gerando problemas similares em áreas que ainda não tenham sido severamente atingidas.

Além disso, o Relatório aponta que o mal gerenciamento hídrico tende a exacerbar os impactos da mudança climática, não apenas nos recursos hídricos mas na sociedade como um todo.

O diretor da ONU Água e presidente do Fundo Internacional para Desenvolvimento da Agricultura (FIDA), Gilbert F. Houngbo, afirmou que há soluções para gerenciar água e clima de maneira mais coordenadas e que todos os setores da sociedade têm um papel a exercer. “Não podemos simplesmente esperar”, alertou.

Adaptação, mitigação e financiamento – No final, o Relatório aponta uma série de medidas de adaptação e mitigação, incluindo medidas naturais, técnicas e tecnológicas para controlar os danos e atitudes que podem ser adotadas efetivamente para limitar a emissão de gás de efeito estufa, assim como proteger o meio ambiente.

O documento também menciona intervenções gerenciais hídricas inovadoras, como captação de névoa, e outras mais tradicionais, como proteção de pântanos, assim como técnicas de “conservação agrícola”. O reaproveitamento de água parcialmente tratada para agricultura e indústria, sem necessariamente torna-la potável, é outro método destacado.

Sobre a questão crucial de financiamento, o Relatório aponta que há crescentes oportunidades para sistematicamente integrar planejamento de mitigação e adaptação em investimentos relacionados a água, de maneira a torna-lo mais atraente a doadores.

Um bom exemplo é o projeto Fundo de Clima Verde, no Sri Lanka. O objetivo é melhorar os sistemas de irrigação em comunidades de vilas vulneráveis e promover práticas inteligentes de agricultura em três bacias de rios, oferecendo benefícios de mitigação e adaptação climática ao mesmo tempo em que conserva a água e protege fontes hídricas potáveis.

Diversas iniciativas hídricas e de mudança climática também trazem outros benefícios, como criação de empregos, melhoria na saúde pública, redução da pobreza, promoção da igualdade de gênero e melhoria na qualidade de vida, além de realçar atratividade para doadores.

Redação

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