Governo investiu R$ 8,8 bi para limpar o rio Tietê. Então por que ele continua sujo?

Governo investiu R$ 8,8 bi para limpar o rio Tietê. Então por que ele continua sujo?
19 dez 2017

O rio Tietê é uma das primeiras paisagens vistas ao chegar em São Paulo, mas faz tempo que o que se vê não agrada aos olhos. Nos 56 metros de largura e 26 quilômetros de leito canalizado de rio que atravessam a cidade, praticamente não existe vida aquática – sem contar a sujeira e o cheiro de esgoto. Isso ocorre porque o rio possui uma mancha de oxigenação zero que ocupa hoje 130 km de extensão, de acordo com dados da Fundação SOS Mata Atlântica.

Em 1992, o governo do Estado prometeu publicamente limpar o rio até 2005, com o Projeto Tietê. Foram R$ 8,8 bilhões em investimentos no projeto, mas nada mudou por definitivo.

Em uma investigação, a BBC Brasil constatou que a maior dificuldade se encontra na construção da rede de coleta de esgoto e no entendimento de que também é preciso parar de despejar poluentes para limpar o rio. Em entrevista para o veículo, José Carlos Mierzwa, professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica da USP, explica que é preciso manejar corretamente o esgoto.

A maior parte dos detritos que vão hoje para o Tietê é de origem doméstica, mas ainda há também resíduos industriais, de empresas que burlam o regulamento que proíbe a prática, e carga difusa, aquela sujeira das ruas que é carregada pela chuva. Isso tudo, além de danificar o rio, acaba parando também no seu leito, diminuindo a capacidade de vazão da água e causando enchentes, desmatamento da mata ciliar e erosão do solo.

E não para por aí! Além do acúmulo de lixo, outro grande problema é o uso do solo. Há muito tempo a área de várzea do rio, reservada para seu transbordamento natural em decorrência das chuvas, vem sendo ocupada na capital. Assim, o problema da poluição do rio liga-se intimamente ao problema da habitação. Segundo os especialistas, eles precisam ser resolvidos em paralelo. Muitas famílias não têm onde morar e devem ser transferidas corretamente para uma área onde não há risco.

É preciso investir em novas tecnologias, alterar as formas de relacionamento com o rio e priorizar o saneamento. S.O.S. Tietê já! 

Foto: Fernando Stankuns/Creative Commons



Mattheus Goto
Mattheus Goto

Estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, repórter na COP 23, estagiário no The Greenest Post e apaixonado por música, arte e histórias de vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *