Petrobras desenvolve tecnologia para desintegrar garrafas PET

Petrobras desenvolve tecnologia para desintegrar garrafas PET
29 nov 2018

O Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) está desenvolvendo um processo para acelerar a degradação de garrafas PET em até sete dias. A tecnologia utiliza enzimas que possibilitam recuperar os componentes das garrafas, sob pressão e temperatura brandas.

Iniciados há quatro anos, os estudos obtidos já permitem “vislumbrar a viabilidade técnica de uma utilização desse processo em larga escala”.

As garrafas PET são um dos maiores vilões para o meio ambiente, principalmente para o ecossistema marinho. A produção mundial de garrafas PET é estimada em 50 milhões de toneladas por ano e o percentual de reciclagem é de 18%.

Descarte de garrafas PET no Brasil

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), responsável pelo levantamento de estatísticas sobre plástico, o descarte de embalagens é de 550 mil toneladas por ano e a taxa de reciclagem da ordem de 51%. O que leva à conclusão de que a fração que hoje não é reciclada no país chega a um montante de resíduos de PET de 270 mil toneladas (ao ano).

A gerente de biotecnologia da Petrobras, Juliana Vaz Bevilaqua, diz que a tecnologia em desenvolvimento pode ajudar a reduzir a quantidades de resíduos decorrentes do descarte inadequado das garrafas.

“Através da biodespolimerização, ou seja, a desconstrução química de uma molécula com muitas unidades funcionais ligadas, poderemos transformar completamente a cadeia do PET pós consumo até obtermos novamente essas unidades, pois o que seria resíduo volta a ser matéria-prima”, disse. A avaliação da gerente da Petrobras é que “dessa forma se evita o problema do acúmulo desse material em lixões ou no meio ambiente e se reduz a demanda por novas matérias-primas que são oriundas da petroquímica, reduzindo nossa pegada de carbono”.

Diante da preocupação com os danos, países como Alemanha, Áustria, Estados Unidos e Japão também estão trabalhando em tecnologias semelhantes.

Como funciona o processo de biodespolimerização?

No processo em questão, as embalagens são coletadas após o uso por consumidores e levadas a um reator para reprocessamento do material.

“O método consiste na adição da enzima às embalagens moídas, em condições de reação adequadas para a atuação da enzima. O processo ocorre até o polímero se tornar novamente em suas unidades mínimas, que servem para a formação de novo PET em processo de reutilização na indústria petroquímica”, ressalta Juliana Bevilaqua.

No final do ano 2017, a Petrobras assinou um termo de cooperação com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Através dessa parceria, será possível acelerar o desenvolvimento do projeto e elevar o grau de inovação e de maturidade da tecnologia. Atualmente, o projeto encontra-se em fase de otimização em laboratório e dentro de 3 anos deve ser testado em escala piloto.  “Só então teremos condição de avaliar o potencial econômico da tecnologia e planejar seu escalonamento para uma escala comercial”, avaliou.

A gerente acrescentou que a reciclagem de plásticos atualmente utilizada é baseada em processos físicos e, por este método, os materiais não recuperam as propriedades do polímero original, gerando um produto de baixo valor. Já com a reciclagem biotecnológica será permitido que o PET reciclado tenha exatamente as mesmas características do original.

Para a gerente de biotecnologia da Petrobras, no momento em que a tecnologia já tiver maturidade adequada, a companhia irá buscar parceiros para a implementação.

Foto: Pixabay



Guilherme Lupino
Guilherme Lupino

Engenheiro Civil, formado pela Universidade Estadual Paulista, entusiasta em novas tecnologias e sistemas de construção sustentáveis.

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