Minibibliotecas gratuitas incentivam leitura em pontos de ônibus

Minibibliotecas gratuitas incentivam leitura em pontos de ônibus
16 fev 2016

Texto originalmente publicado no site Por Vir 

Passar um tempo no ponto de ônibus pode ser cansativo e até mesmo chato para muita gente. Quem nunca se pegou olhando o relógio, impaciente, esperando a condução passar? Em Piracaia, no interior de São Paulo, este momento se transformou em um encontro literário após a instalação das minibibliotecas do projeto Piracaia na Leitura.

Com casinhas de madeira inspiradas no projeto Little Free Library, iniciado nos Estados Unidos, as minibibliotecas reúnem poesias, contos, crônicas, revistas e livros, nacionais e internacionais. “O projeto é comunitário e sem burocracia”, define uma das idealizadoras, Amanda Leal de Oliveira, socióloga e especialista em mediação de leitura. Sem a exigência de cadastros ou das tradicionais carteirinhas da biblioteca, qualquer pessoa pode escolher um livro, levar para casa e devolver quando terminar.

A ideia de espalhar minibibliotecas pelos pontos de ônibus da cidade surgiu um pouco depois que ela e o marido, Marco Maida, se mudaram de Itu para Piracaia, após também já terem morado na capital. “Quando chegamos em Piracaia, vimos uma cidade de 25 mil habitantes e apenas uma biblioteca pública [em funcionamento]”, relembra Amanda.

A primeira minibiblioteca foi inaugurada no dia 16 de junho de 2014, no ponto do Posto de Saúde, na av. Dr. Cândido Rodrigues. Na época, a estrutura de madeira foi construída com o apoio da marcenaria da prefeitura. De lá para cá, seis casinhas já foram instaladas e outras duas estão em construção. “Logo que chegamos à cidade, os pontos de ônibus nos chamaram muita atenção, porque eles são bonitos e bem construídos. Pensamos que, além das pessoas ficarem esperando os ônibus, esse lugar público poderia se tornar um ponto de encontro para leitura”, explica Maida, psicólogo e mestrando em Mudança Social e Participação Política.

Totalizando um acervo de mais de dez mil exemplares, todos recebidos por meio de doações, o projeto propõe trazer a leitura para o cotidiano de diversas faixas etárias. Todas as casinhas são estrategicamente colocadas em uma altura que permite uma criança, a partir dos seus seis ou sete anos, escolher seu livro sozinha. Aliás, o próprio nome do projeto foi escolhido por alunos da rede pública e privada de Piracaia. “Levamos cédulas com cinco sugestões de nomes [distribuídas por meio de parceria com o Departamento Municipal de Educação] e eles votaram em Piracaia na Leitura [uma brincadeira com o nome da cidade e o convite para cair na leitura]. Quando passávamos por um ponto de ônibus, tinham crianças que falavam: ‘Ah, eu votei nesse nome’”, diz Amanda.

PARCERIA COM ESCOLAS
Para incentivar que os alunos tenham mais contato com as casinhas, algumas escolas próximas a pontos com as minibibliotecas também começaram se aproximar. “Em toda inauguração de casinhas, fazemos questão de convidar escolas da vizinhança”, destaca a especialista em mediação de leitura, ao mencionar que o Piracaia na Leitura já foi convidado para participar de saraus em escolas e até mesmo levar parte do seu acervo para os alunos conhecerem. No começo deste ano, também está prevista a inauguração de uma nova minibiblioteca em um ponto na zona rural, próximo da Escola Municipal de Educação Básica Eurides Badari, que já procurou o projeto para desenvolver um trabalho conjunto.

A aproximação mencionada por Amanda pretende ajudar a quebrar o estereótipo que a biblioteca costuma assumir em muitas escolas. “Você tem a sala de aula e a biblioteca, o pátio e a biblioteca, a quadra e a biblioteca. O livro está em um ambiente separado, guardado e catalogado. Ele está muito longe. Com o livro solto, você consegue mudar o envolvimento entre o leitor e o livro”, defende Maida.

Segundo o psicólogo, o espaço de leitura deve ser repensado. “No ensino fundamental e médio, principalmente com a chegada das novas tecnologias, é ridículo achar que a biblioteca serve apenas para pesquisar. A biblioteca tem que se tornar um ambiente vivo, de aproximação das pessoas com a leitura.”

Foto: Divulgação



Redação
Redação

Também quer ver seu texto publicado no The Greenest Post? Entre em contato com a gente pelo e-mail colabore@thegreenestpost.com!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *