A escola de tecnologia que se dedica a ensinar programação para refugiados

A escola de tecnologia que se dedica a ensinar programação para refugiados
15 mar 2016

O setor de tecnologia não para de crescer e a academia ainda não conseguiu formar profissionais suficientes para suprir essa demanda. Na Alemanha não é diferente! Ao mesmo tempo, começar a vida em um país desconhecido, sem falar o idioma ou conhecer pessoas, é um desafio e tanto!

Por que não encontrar uma única solução para esses dois desafios? A fim de facilitar o processo de adaptação de refugiados no país europeu e, de quebra, ensinar uma profissão e ajudar na recolocação profissional, uma escola está ensinando programação a essas pessoas. Localizada no Centro de Empreendimento de Tecnologia Alemão, a instituição foi batizada de ReDi e funciona desde fevereiro de 2016.

Os primeiros 49 estudantes da escola vieram de lugares como Síria, Afeganistão, Iraque e Tunísia. Eles foram divididos em turmas pequenas, de seis ou sete pessoas que possuem desafios comuns. Para alguns, a língua local é uma dificuldade, por exemplo, enquanto para outros os hábitos locais causam estranhamento. A ideia é que os alunos superem os desafios de adaptação juntos, enquanto têm aulas de tecnologia.

Os alunos também são triados por nível de conhecimento. Aqueles que têm mais noção sobre a área reúnem-se em classes específicas, com desenvolvedores voluntários, que ensinam algumas noções básicas de Ruby on Rails e Javascript. Segundo Özlem Buran, voluntário no local, o objetivo é que até o final do curso eles estejam aptos a participar de estágios no setor de tecnologia. “A intenção não é treinar o próximo desenvolvedor de uma grande rede social”, explica Özlem. “Mas estamos ensinando para que possam atuar na área de inteligência de mercado e desenvolvedores front-end”, completa.

Já para aqueles que possuem diploma na área e/ou muitos anos de experiência, o trabalho é de networking. Eles são conectados com pessoas do mercado que podem ajudá-los a conseguir uma recolocação profissional. Na Alemanha, existem 47 mil vagas não preenchidas na área de tecnologia — e a previsão é de que esse número aumente para 750 mil até 2020.

A ideia de criar a escola nasceu com a visita da empreendedora social Anne Kjaer Riechert a um abrigo de refugiados em Berlim, em meados de 2015. Ela encontrou por lá Muhammad, um desenvolvedor de software do Iraque que estava há dois anos sem trabalhar, pois não tinha mais computador. Anne poderia apenas ter pedido para que seus amigos doassem um laptop antigo ao moço, mas isso não parecia suficiente.

Foi quando surgiu a ideia de criar uma escola de tecnologia para refugiados, um espaço para coworking em que mentores e profissionais da área pudessem conectar essas pessoas com o mundo da tecnologia e ajudá-las a encontrar um emprego, movimentando e fortalecendo a economia do país.

Onde muitos europeus veem crise, esses profissionais enxergam oportunidade. E viva o fim do preconceito!

Foto: Divulgação/Facebook



Jéssica Miwa
Jéssica Miwa

Mãe do Gael, Googler, jornalista e cofundadora do The Greenest Post. Acredita em pequenas ações que podem mudar o mundo.

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