Com fome, homem furta carne e policiais pagam fiança

Com fome, homem furta carne e policiais pagam fiança
14 maio 2015

Desempregado há três meses, o eletricista Mário Ferreira Lima foi preso em Santa Maria, no Distrito Federal, por roubar 2 quilos de carne em um supermercado. O homem não comia havia dois dias, mas o furto foi cometido por outra razão: ele queria alimentar o filho de apenas 12 anos.

Infelizmente, a história é mais comum do que gostaríamos. Diariamente, cidadãos com fome cometem pequenos furtos para se alimentar e são presos e colocados nas mesmas celas de pessoas que cometeram crimes muito mais graves, como homicídios. Será que isto está certo? A história de Mário, no entanto, virou notícia por ter um final diferente, muito mais feliz.

Ao chegar à delegacia o homem desmaiou… de fome. Em depoimento, ele contou ao agente Ricardo Machado sua história: foi demitido, após faltar no trabalho para acompanhar a mulher doente, que ficou oito meses em coma no hospital. O filho do casal estava há dois dias comendo, aos pouquinhos, o último pão que havia na casa e, quando foi ao mercado para comprar comida com os R$ 70 que recebe, mensalmente, do programa Bolsa Família, Mário descobriu que o dinheiro ainda não havia sido depositado na sua conta. O que você faria nessa situação?

No desespero, o eletricista colocou 2 quilos de carne na bolsa e foi flagrado pelas câmeras de vigilância do mercado, que chamou a polícia. Os agentes, no entanto, foram mais sensíveis que o dono do estabelecimento. Comovidos com a história de Mário, fizeram uma vaquinha para pagar a fiança do homem, de R$ 270, e ainda o levaram no supermercado mais próximo para fazer as compras do mês.

Arroz, feijão, macarrão, biscoito e itens de higiene foram colocados no carrinho de Mário, que, dessa vez, tinha dinheiro para pagar as compras, graças à ajuda dos policiais. “Na hora que passávamos pela seção de higiene, um colega perguntou se ele tinha pasta de dente. Ele disse que não escovava os dentes com pasta há mais de mês, e pedimos que ele pegasse lá, então. Ele, na humildade, voltou com a menorzinha e mais barata. Brincamos que isso não dava nem para um dia e pegamos logo cinco”, contou o agente Machado ao G1.

O policial foi além: “A gente sabe que o crime não é certo, mas eu me ponho no lugar. Imaginei a minha filha passando fome.” Muita gente criticou a atitude dos agentes, mas muitos foram a favor também.

Nós, do The Greenest Post, ficamos pensando: que mundo melhor teríamos se todos tivessem a sensibilidade de se colocar mais no lugar do outro!

Foto: Divulgação/Polícia Civil do DF



Débora Spitzcovsky
Débora Spitzcovsky

Débora Spitzcovsky é jornalista, formada pela Universidade Metodista de São Paulo e, desde o início da carreira, atua na área da sustentabilidade. Atualmente, é analista de comunicação sobre o tema na Duratex

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