A iniciativa que recolhe frutas e vegetais feios (em bom estado!) para doar a quem tem fome

A iniciativa que recolhe frutas e vegetais feios (em bom estado!) para doar a quem tem fome
15 set 2015

Eles costumam ficar no fundo das prateleiras dos supermercados – isso quando não são descartados na própria lavoura – e geram toneladas de lixo (desnecessário) todos os anos. O que fazer com as frutas e vegetais que perdem valor comercial, unicamente, por serem feios?

Em Barcelona, na Espanha, um grupo de moradores encontrou a solução: eles lançaram o projeto Espigoladors, que vai até as lavouras recolher os alimentos que não são vendidos aos supermercados por conta de sua aparência.

A colheita é feita por voluntários: são pessoas desempregadas ou em situação de pobreza que se cadastram no site da iniciativa para ir até as lavouras. As visitas ao campo são feitas semanalmente, em grupos de 20 a 30 pessoas.

Os voluntários recolhem tudo o que podem e escolhem o que querem levar para casa para consumo próprio. O resto é enviado a cozinhas comunitárias ou, ainda, transformado em sopas e compotas, que são vendidas pela marca do projeto, a Es Im-perfect.

Assim, a iniciativa ajuda pessoas com dificuldades financeiras e, ainda, gera lucro. Curtiu?

Cerca de 30 produtores e distribuidores de alimentos da Espanha já fecharam parceria com o Espigoladors e a tendência é o número crescer ainda mais.

Enquanto isso, no Brasil, é comum o consumidor se deparar com cenas de funcionários de supermercados descartando no lixo comida boa. É que nossa legislação não possui texto específico que regule a distribuição de alimentos por empresas. O assunto só consta nos códigos Civil e Penal, que determinam que “qualquer dano causado aos receptores de alimentos doados será de responsabilidade de quem os doou”. Com medo de processos, a maioria das empresas opta por jogar os alimentos no lixo.

Já passou da hora de mudar isso, não Brasil?

Foto: Divulgação/Espigoladors



Débora Spitzcovsky
Débora Spitzcovsky

Débora Spitzcovsky é jornalista, formada pela Universidade Metodista de São Paulo e, desde o início da carreira, atua na área da sustentabilidade. Atualmente, é analista de comunicação sobre o tema na Duratex

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