4 situações em que as mulheres têm seus direitos reprimidos (e todos acham normal)

4 situações em que as mulheres têm seus direitos reprimidos (e todos acham normal)
10 maio 2016

1. ESCOLAS QUE PROÍBEM MENINAS DE USAR UNIFORMES JUSTOS OU CURTOS
É só procurar no Google pelas palavras “proibição”, “shorts” e “escola” para ver as mais brilhantes e recentes campanhas organizadas por alunas e alunos (orgulho desses meninos, hein!) em prol da liberdade das meninas em se vestir como quiserem na escola. Não é certo desde cedo ter alguém regulando como as meninas vão se vestir (e pior: a sociedade achar isso normal). Você já viu alguma direção de escola proibindo meninos de tirar a camisa depois do jogo de futebol? Ou de usar blusa justinha para exibir o corpo definido para as meninas? Mas isso nunca foi tratado como caso de promiscuidade, de exagero de sexualidade ou do que quer que seja. Definitivamente, não cabe às meninas restringir seus modelitos só porque os meninos não sabem se comportar.

2. A IDEIA DE QUE A MULHER É A ÚNICA RESPONSÁVEL PELA GRAVIDEZ
A pílula anticoncepcional contém hormônios que fazem com que as mulheres não engravidem quando têm relação sexual. Logo que as meninas entram na fase da puberdade são rapidamente apresentadas a esse recurso, seja para controlar espinha, oleosidade da pele, TPM, fluxo menstrual ou para evitar a gravidez. E os meninos? Não, eles não precisam se preocupar. No máximo, quando bem orientados, carregam uma camisinha. Mas já imaginou o quanto é invasivo passar um monte de anos tomando hormônios sem interrupção para evitar algo que tem dupla responsabilidade? Hoje em dia as meninas são receitadas a tomar pílulas a partir de 16 anos, ou até antes, enquanto o debate sobre os efeitos desses hormônios por longos períodos de tempo no corpo da mulher só se intensifica… É pra se pensar, não?

3. VAGÕES EXCLUSIVOS PARA AS MULHERES
Essa é a pior das soluções possíveis para o problema de assédio no transporte público. É como se dissessem que, para acabar com os assaltos a bancos, deveríamos fechar os bancos. Bacana, né? O raciocínio é simples e lógico, se alguns homens são incapazes de respeitar as mulheres, estes então deveriam ser excluídos desse convívio. Sempre que nos deparamos com problemas desse tipo, a solução deve ser punitiva para quem não está em acordo com a conduta social – e não o inverso. Não é porque a mulher está sendo assediada que você tem que tirá-la de cena. O correto deveria ser justamente o contrário. Mas acredite: essa prática foi implementada em cidades como Rio de Janeiro e Distrito Federal.

4. OUVIR A PERGUNTA “E AÍ, COMO FORAM AS FÉRIAS?” AO VOLTAR DA LICENÇA-MATERNIDADE
Licença-maternidade é umas das etapas mais lindas e, ao mesmo tempo, difíceis da vida da mulher. Não, nunca fiquei grávida, mas gerar um filho é algo surreal. Ser mãe se aprende de forma prática no dia a dia, com todas as dificuldades físicas e emocionais. Não há livro, conselho ou texto de internet que ensine. E aí, imagine a moça que acabou de gerar seu primeiro filho – passou 4 meses ao lado daquele pedacinho de gente que é mais frágil e importante que tudo no mundo -, voltar ao trabalho com todas as dores de consciência e preocupações e ouvir a terrível pergunta: “E aí, como foram as férias?”. E o absurdo não é só esse. Lógico que essa frase é tipicamente masculina, mas sim, já ouvi mulheres (sem filhos, lógico) perguntando isso. Acho que é o ápice da falta de noção e sensibilidade, típico de quem parece que nasceu de chocadeira mesmo. Queria ver se teria coragem de perguntar isso na frente da própria mãe. Licença-maternidade é um direito da mulher –  e é muito mais cansativo do que qualquer trabalho no mundo. Pode ter certeza. Exige mais do que qualquer reunião, qualquer meta e qualquer chefe.

Ou você acha que é fácil criar pessoas que não achem natural essas quatro situações de repressão que listamos acima? Que não se contaminem com o que diz o senso comum? Que pensem com a cabeça em vez de seguir comportamentos coletivos? Dá trabalho! Ainda bem que temos cada vez mais  movimentos, campanhas e discursos que vêm confrontando essa realidade e ajudam as mães nessa árdua tarefa de formar bons cidadãos. Por um mundo com mais igualdade! 🙂

Foto: Campanha da ONU pelos Direitos das Mulheres



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